Outra vez acordou nu e com frio
Mas desta vez não estava só
Sentiu que havia mais um ou mais mil
Era hora de voltar ao pó
Num canto escuro alguém que choraria até
Lendo uma lista telefônica
Um outro tentava segurar-se de pé
Com uma ressaca faraônica
No centro da sala, alguém canta bem alto
Algum sucesso popular
No topo do prédio, se prepara pro salto
Com um outro qualquer a gritar
Usou o cartão de crédito pra marcar
A página da Bíblia em que parou
Dançou e dançou, sem sequer notar
Que o disco terminou
Olhos psicóticos fulminavam
As rosas e o bichano de pelúcia
Pés corriam e tropeçavam
Na intolerância e na angústia
No quarto, fazia um show irreal
Mas nunca teve um orgasmo de verdade
Acreditando em cabala ou em mapa astral
Fez as malas e saiu da cidade
A fobia de shopping o fez atirar
As chaves no vaso do banheiro
Na sala de estar, decidiu morrer de fumar
Esvaziou o seu quinto cinzeiro
Prometendo de novo, que é a última vez
Torcendo por uma boa nova
Comprou bebida para mais de um mês
Contou sua versão da história
E cada um inclina
A ver além do que registra sua retina.
Cada um porquê
Cada um você.
Tags: momentos, personalidades, Poesias Abstratas, vida, você
Julho 30, 2007 às 2:04 am |
já falei que te acho genial, ne?!
genio, genio, genio…
simplesmente adoro o que vc escreve, hip! vou te enxer o saco até o dia q vc crie coragem e publique algo!
Julho 30, 2007 às 3:36 am |
Continua mandando bem essa canetinha azul, hein?
Julho 30, 2007 às 3:50 pm |
Achei triste e me fez lembrar de muitas coisas.
Gostei!!!