O cimento que cobriu
aquele pouquinho de terra
que deixava a árvore da calçada
beber quando chovia.
O arco-íris que surgiu
por uns segundos,
quando a tropa de choque
usou a mangueira dos bombeiros
para conter os manifestantes.
O frio na barriga
do primeiro beijo.
O ardor no peito
de uma paixão,
ou de um infarto.
A planta ornamental
que morreu no escritório
à vista de todos
porque não pode pedir
a ninguém que a regasse
O necessitado que morre nas ruas
pedindo a alguém que o ajude
O verso incompleto e amassado
Jogado ao vento
e nele flua como pluma
entre os carros da avenida.
A ânsia de vômito
do primeiro assassinato.
E o brilho do olhar
do quarto, quinto, sexto…
O êxtase do prazer que chegou
E a fugacidade com que se foi
A ordem cumprida contra vontade
E o paciente curado com placebo
Você viu?
Prestou atenção?
Eu estava lá.
Tags: detalhes, olhar, percepção, Poesias Abstratas, presença, Sentimentos, vida
Abril 23, 2009 às 10:20 pm |
a letra A tem meu nome… o inicio… o fim… e o meio…
adorei…
Abril 24, 2009 às 5:37 pm |
nossa. acho q fui sentindo cada sensasao q c ia descrevendo. terminei com azia, lagrima nos olhos e um pouquinho de saudade de primeiras-experiencias..
sempre lindo por aqui.
;*
Abril 28, 2009 às 2:42 pm |
É bonito, mas eu fiquei triste…
Abril 28, 2009 às 5:15 pm |
”A planta ornamental
que morreu no escritório”
q droga.. quantas eu ja vi morrer.. nunca fiz nada =[
Maio 12, 2009 às 12:58 am |
Com certeza você estava lá… ninguém mais estava… ou, se estava, com certeza pensava em outra coisa…
… era na calçada rachada, na água gelada e forte que lhe batia no rosto, a saliva incomoda do outro, na bunda da mulher que passava ou no bacon do café da manhã, no fax que nunca conseguia ser enviado, no banho que o mendigo não tomou – e não tomaria, morreia de fome primeiro, na buzina nada poética do carro de trás, o cadaver, o medo da perda e o lamento do fim, no bigode do chefe, na esperteza do médico…
Eu nunca estive lá.
“Ah, essa mania incorrigível de estar pensando sempre noutra coisa!” Mario Quintana
Maio 28, 2009 às 4:30 pm |
Infelizmente troquei os “detalhes” pela “praticidade”.
Sou só mais um cego perdido no tiroteio.
Foi bom ter lembrando de ler seu trabalho hoje. Acabei me lembrando de outro alguém, alguém que não existe mais em mim.
Obrigado!