bondade.

“Me leva pra longe daqui.”, ela pediu. Nada mais justo, mas ele ainda queria ficar. Apesar de tudo.

O risco de permitir-se à bondade é ter que escolher sempre a quem você vai favorecer. Nada é mais ingrato do que o esforço pelo chamado bem comum. Reflita você sobre a relação do povo com o Estado. Ou melhor, pense no destino dos que tentam ser herois.

Como não há nada mais ingrato do que um ex-amor e nem nada mais urgente do que um amor vivo, ele se foi. Mas antes, fez questão de olhar com piedade para aqueles que lhes pagaram o bem com o mal. Entenda: piedade não é misericórdia.

Dos que ficaram, poucos se impressionaram, pois estavam a bravejar, perdidos em rancor.

Apenas um deles entendeu, afinal, o que se passava. E chorou.

Uma senhora, alheia a tudo, quis consolá-lo. Como não tinha um lenço que fosse, ela ofereceu a barra de sua blusa e ele aceitou.

“Bondade sua…”, murmurou ele.

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8 comentários em “bondade.

  1. “Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. (…) Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores.” Uma amizade sincera, Clarice Lispector.

    enquanto lia me veio a lembrança esse trecho do texto da Clarice.
    Piedade não é misericordia. Troca de favores não é amizade.

    Um grande abraço

  2. Meu amigo Hipólito!
    Espero que não esteja bravo com meu sumiço. Ainda não esqueci de ti e ainda tenho latente em minha cabeça nossos trabalhos.

    Isso acontece, vez ou outra, eu sumo. Mas eu sumo quando tenho que fazer algo que não concordo da minha vida, é impossível pra mim sustentar uma situação e uma identidade que não gosto perante os amigos. Pois bem, nos últimos 6 meses do ano passado tive que fazer um trabalho que me consumiu demais com relação a tempo… e com relação a minha cabeça mesmo. Não gostava do trabalho mas não podia deixá-lo, pois precisava da grana.

    Mas graças a esses mistérios aí da vida, consegui no começo desse ano a oportunidade de ilustrar uma coleção de livros. E tudo caminha para que mais coleções apareçam. O legal das coleções é que me consomem muito por 2 meses, mas me deixam tranquilo por uns 10.

    Estou voltando, cara, estou voltando. Vi que você me ligou. Dia 20 termino os livros e quero engatar com você uma nova história. Uma nova proposta, um novo site, pensarmos mesmo como começar a coisa do jeito certo, mas sobretudo, começar. Como todo trabalho na vida, apesar das coisas ruins que passei, o trampo do ano passado me deu uma percepção maior do que precisamos pra fazer nosso trampo rodar e rolar.

    Me ligue quando puder ou me escreva… depois do dia 20, voltamos aos quadrinhos e o que mais tivermos idéias! Independência, até que enfim.

    Abraço!
    Gus

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