detalhes.

O cimento que cobriu
aquele pouquinho de terra
que deixava a árvore da calçada
beber quando chovia.

O arco-íris que surgiu
por uns segundos,
quando a tropa de choque
usou a mangueira dos bombeiros
para conter os manifestantes.

O frio na barriga
do primeiro beijo.
O ardor no peito
de uma paixão,
ou de um infarto.

A planta ornamental
que morreu no escritório
à vista de todos
porque não pode pedir
a ninguém que a regasse

O necessitado que morre nas ruas
pedindo a alguém que o ajude

O verso incompleto e amassado
Jogado ao vento
e nele flua como pluma
entre os carros da avenida.

A ânsia de vômito
do primeiro assassinato.
E o brilho do olhar
do quarto, quinto, sexto…

O êxtase do prazer que chegou
E a fugacidade com que se foi
A ordem cumprida contra vontade
E o paciente curado com placebo

Você viu?
Prestou atenção?
Eu estava lá.

Sobre bic azul

Uma caneta pode escrever qualquer coisa, boa ou ruim. Normalmente, ninguém liga muito se ela funciona. Mas, quando ela falha...
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6 respostas para detalhes.

  1. thahy disse:

    a letra A tem meu nome… o inicio… o fim… e o meio…

    adorei…

  2. (marta) disse:

    nossa. acho q fui sentindo cada sensasao q c ia descrevendo. terminei com azia, lagrima nos olhos e um pouquinho de saudade de primeiras-experiencias..

    sempre lindo por aqui.
    ;*

  3. Lia Drumond disse:

    É bonito, mas eu fiquei triste…

  4. Rodolfo disse:

    ”A planta ornamental
    que morreu no escritório”

    q droga.. quantas eu ja vi morrer.. nunca fiz nada =[

  5. Marcela Ortolan disse:

    Com certeza você estava lá… ninguém mais estava… ou, se estava, com certeza pensava em outra coisa…

    … era na calçada rachada, na água gelada e forte que lhe batia no rosto, a saliva incomoda do outro, na bunda da mulher que passava ou no bacon do café da manhã, no fax que nunca conseguia ser enviado, no banho que o mendigo não tomou – e não tomaria, morreia de fome primeiro, na buzina nada poética do carro de trás, o cadaver, o medo da perda e o lamento do fim, no bigode do chefe, na esperteza do médico…

    Eu nunca estive lá.

    “Ah, essa mania incorrigível de estar pensando sempre noutra coisa!” Mario Quintana

  6. Israel disse:

    Infelizmente troquei os “detalhes” pela “praticidade”.
    Sou só mais um cego perdido no tiroteio.

    Foi bom ter lembrando de ler seu trabalho hoje. Acabei me lembrando de outro alguém, alguém que não existe mais em mim.

    Obrigado!

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