de passagem.


Essa noite, sonhei acordado.
Eu podia viajar no tempo.
E eu, tolo, fui ao passado.

Imaginei que podia estar lá, do mesmo jeito que me lembro do que aconteceu.
Como cada palavra daquele diálogo ainda estava na minha cabeça.
E como eu pude errar tanto sem saber que errava.

Como eu quis voltar e dizer a coisa certa!
E logo estava ali, depois, aproveitando os louros disso.

Então percebi que não podia viver mais aqueles momentos com a riqueza de antes porque tinha saído da máquina do tempo chamada memória. Agora, vagava no túnel onírico e traiçoeiro da imaginação.

Busquei fatos. Fotos. Forças.

Tudo que pudesse alimentar o insaciável apetite do “e se…”.

Em vão.

Passou.

A luz no fim do túnel era branca. Intensa.

Era uma lâmpada de led rosqueada no lustre. Desembarquei na estação realidade, recebido por uma pulsação forte, uma cadeira dura e um clima bem frio.

Respiro.

Escrevo.

Ainda é tarde e tenho medo de ir dormir, porque nos sonhos do sono, não há limites entre túneis e estações.

Nem trilhos para saber aonde vou chegar.

Estranhamente, anseio pela viagem ao mesmo tempo em que temo nem sair do lugar.

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