autua Judas.


Nada tema
Escolha um tema

Escreve,
Escravo
do expressar

que lhe traz
letras
Imagens
a imaginar

Ditongos dizem tangos
Dizem tanto
E oxítonas oxidam
À sua áspera espera

Escreve.
És breve.
Se atreve!

mas sedes breve
Semibreve

Mais sede.

Não se trema.
Não há mais trema.

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alienação 2.0


Informação
Noite e dia
A todo momento

Em vão
É anestesia
do pensamento

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tem fogo?


Para quem o conhecia, a pergunta era sempre retórica.

Apesar de ser um fumante habitual, não comungava do pacto secreto das regras não escritas com quem compartilhava seu vício.

Aquele mesmo pacto que antes negava e agora exige o sexo no primeiro encontro, que nos mantém mudos no elevador e que manda todos os motociclistas pararem quando um deles é parte de um acidente.

Zeca sempre negava fogo. E não era na cama. Era no fumo. Seus poucos amigos faziam todo tipo de gozação. Todo duplo sentido já havia sido explorado à exaustão. Como um cara tão normal como Zeca podia ser mesquinho com algo tão banal? Isqueiros, fósforos e até a tradicional brasinha, Zeca, sem explicação, continuava a negar.

Certa noite, num happy hour, um colega que tinha exagerado quase partiu pra cima de Zeca, tamanha sua indignação por obrigá-lo a voltar para dentro do bar para acender o seu cigarro mentolado. Geraldo, amigo de longa data, foi quem acabou salvando Zeca de apanhar. “Calma! Sou padrinho do filho do cara e ele nunca acendeu um cigarro meu!”.

Aliás, era de Geraldo que vinhama maior parte das piadas. “Esse aí compartilha até a mulher, mas não compartilha o fogo!”.

O mistério acabou totalmente sem querer, numa terça-feira das mais comuns e esquecíveis, não fosse aquela pausa das 3 da tarde, quando Zeca e Geraldo saíram de suas mesas no 9º andar e desceram para fumar.

Geraldo bateu nos bolsos e percebeu que tinha esquecido o isqueiro. Expirou com frustração mas nem cogitou pedir o do amigo. Teorizou:

“Já sei qual é a sua. Lá no planeta de onde você veio, compartilhar fogo desvia ser um crime terrível e quando alguém fez isso, milhões morreram. Certo?”.

Dessa vez, Zeca não negou fogo. Sacou de um velho 38 e disparou 4 vezes, à queima roupa.

Lamentou, mas não podia deixar vivo alguém que sabia demais.

Zeca acabou sendo abduzido na fuga. Primeiro, por uma viatura. E, cinco anos depois, por uma espaçonave. Finalmente.

Perguntou ao piloto:
“Por que demorou tanto?”

“Ah, chefia, não é minha culpa. Tiraram muito ônibus espacial dessa linha. Tem que acender um cigarrinho e esperar.”

Zeca sorriu.

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janela.


Hoje eu vi a Terra girar no espaço
Não numa maquete nem no planetário
Era ela mesma. Linda. Azul, branca, vermelha, verde.
Linda.

Hoje eu vi o Sol ficar pequeno pela distância
Mas sua luz irradiava todo um hemisfério
Um planeta inteiro atingido por um raio de luz
Como as plantas da sua janela

Janela.

Hoje eu vi a Terra girar no espaço
Por uma janela pequena e estreita
do vídeo
E me senti ainda menor do que ela

O astronauta sempre vê a Terra girar no espaço
Por uma janela um pouco maior
da nave
Não sei como ele se sente

Hoje eu vi a Terra girar no espaço
Não há fronteiras aqui de cima
Não há nós nem vocês lá do alto

Hoje vi um pedaço do universo
E descobri que a Terra é só uma janela.

(Quer ver também? Clique aqui e aqui.)

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que poesia é essa?


a poesia
sua alteza real
e tão irreal

subjetivo e inútil mosaico
incômodo espelho da alma
de quem lê
de quem faz
de quem ignora

que sentimentos são estes
que se acham tão importantes
a ponto de se fazerem

versos e prosas
às vezes ricas
às vezes trágicas
às vezes um mero pensamento
sem forma
sem norma?

um sentimento e nada mais
e não há nada mais que isso.

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poema sem tempo.


corre-passa
voa-vai
agora-já
olha-hora

triste-choro
penso-vejo
corre-corre
mais-ligeiro
que o tum-tum
do coração.

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teste.


_ Senhora, por favor, aponte as alternativas corretas.
_ Como?
_ Escolha as alternativas corretas após no monitor abaixo e tecle as respostas verdadeiras.
_ Escuta, meu filho, eu não vim aqui fazer prova. Vim tirar a segunda via do meu RG.
_ Sim, senhora. Mas antes é necessário responder às questões abaixo.
_ Provinha, querida? Ninguém me avisou nada, eu estou atrasada e não vou perder nem mais um minuto com a sua burocracia. Já preenchi todos os papéis que me pediram. Vocês já têm até meu tipo sanguíneo e ainda querem que eu escolha alternativas?
_ Sinto muito pelo transtorno, senhora, mas é procedimento adotado e…
_ É adotado! Nem é filho legítimo! O legítimo eu já fiz. Está me esperando pra eu levar na escola. Agora, ou você me entrega esse documento ou eu vou chamar o seu chefe aqui.
_ Senhora, não estou autorizado a permitir o contato com os meus superiores.
_ Dupla negativa. Eufemismo pouco é bobagem! Isso não significa que você está autorizado a me impedir, né?
_ Senhor, por favor…
_ Se é favor, então eu posso me recusar a fazer. Não quero fazer favores pra você. Nem a sua obrigação de me entregar o documento você cumpre, já pensou se eu precisasse de um favor? Sei lá: “me ajudar com o pneu furado?” ou “emprestar uma graninha pro almoço?”. Eu tava fodida!
_ Senhora, se a senhora responder a questão, tudo será mais simples e eu vou lhe entregar o documento.
_ Tá, bom então! Deixa eu ler essa merda… Ih, nem a pau!
_ Desculpe?
_ Você sabe pelo que você está se desculpando, criatura? É pela sua ineficácia ou por trabalhar num lugar como esse? Aliás, como se usa desculpas como pergunta? “Devo me desculpar?”. Eu não aguento isso. EU VOU VOAR NO TEU PESCOÇO!
_ Senhora… eu vou chamar a segurança!
_ Pode chamar o Papa! Eu digo que você me tomou o documento e que estava tentando me assediar. Vamos ver quem vai se dar bem e quem vai virar mulherzinha na cadeia!
_ … Desculpe o transtorno, Senhora. Aqui seu documento.
_ Já era tempo! Até nunca mais!
_ Eu é que agradeço…
_ Cala essa boca que eu não te agradeci por nada.
_ …
_ Humpf! Vê se pode: perguntar peso, idade e cor verdadeira do cabelo. Isso lá é coisa que se faça? Não se tem mais respeito…

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