poema sem tempo.

corre-passa
voa-vai
agora-já
olha-hora

triste-choro
penso-vejo
corre-corre
mais-ligeiro
que o tum-tum
do coração.

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teste.

_ Senhora, por favor, aponte as alternativas corretas.
_ Como?
_ Escolha as alternativas corretas após no monitor abaixo e tecle as respostas verdadeiras.
_ Escuta, meu filho, eu não vim aqui fazer prova. Vim tirar a segunda via do meu RG.
_ Sim, senhora. Mas antes é necessário responder às questões abaixo.
_ Provinha, querida? Ninguém me avisou nada, eu estou atrasada e não vou perder nem mais um minuto com a sua burocracia. Já preenchi todos os papéis que me pediram. Vocês já têm até meu tipo sanguíneo e ainda querem que eu escolha alternativas?
_ Sinto muito pelo transtorno, senhora, mas é procedimento adotado e…
_ É adotado! Nem é filho legítimo! O legítimo eu já fiz. Está me esperando pra eu levar na escola. Agora, ou você me entrega esse documento ou eu vou chamar o seu chefe aqui.
_ Senhora, não estou autorizado a permitir o contato com os meus superiores.
_ Dupla negativa. Eufemismo pouco é bobagem! Isso não significa que você está autorizado a me impedir, né?
_ Senhor, por favor…
_ Se é favor, então eu posso me recusar a fazer. Não quero fazer favores pra você. Nem a sua obrigação de me entregar o documento você cumpre, já pensou se eu precisasse de um favor? Sei lá: “me ajudar com o pneu furado?” ou “emprestar uma graninha pro almoço?”. Eu tava fodida!
_ Senhora, se a senhora responder a questão, tudo será mais simples e eu vou lhe entregar o documento.
_ Tá, bom então! Deixa eu ler essa merda… Ih, nem a pau!
_ Desculpe?
_ Você sabe pelo que você está se desculpando, criatura? É pela sua ineficácia ou por trabalhar num lugar como esse? Aliás, como se usa desculpas como pergunta? “Devo me desculpar?”. Eu não aguento isso. EU VOU VOAR NO TEU PESCOÇO!
_ Senhora… eu vou chamar a segurança!
_ Pode chamar o Papa! Eu digo que você me tomou o documento e que estava tentando me assediar. Vamos ver quem vai se dar bem e quem vai virar mulherzinha na cadeia!
_ … Desculpe o transtorno, Senhora. Aqui seu documento.
_ Já era tempo! Até nunca mais!
_ Eu é que agradeço…
_ Cala essa boca que eu não te agradeci por nada.
_ …
_ Humpf! Vê se pode: perguntar peso, idade e cor verdadeira do cabelo. Isso lá é coisa que se faça? Não se tem mais respeito…

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crise.

Marques procurou por Siqueira a tarde inteira. Andar por andar, ramal por ramal.

Mas acabou encontrando o sujeito apenas quando desistiu de procurar e foi tomar um café:

_ Zé!
_ Opa.
_ Eu tava te procur… Que porra de roupa é essa?
_ Casual Friday.
_ Casual pra caralho, hein? Bermuda florida? Vai pra praia?
_ Bem que eu queria…
_ Cê tá louco, meu! A reunião com os acionistas começa daqui a pouco!
_ É… tô sabendo…
_ E você nesse verão todo?
_ É sexta!
_ Bom… foda-se a bermuda. Te empresto meu terno…
_ Você usa 3 números a menos que eu. Vou ficar parecendo uma funkeira.
_ … Deve estar otimista com os relatórios então…
_ O que tem?
_ O que eles dizem?
_ E isso importa?
_ Não brinca com essas coisas…
_ Tá bom, tá bom… eu não fiz.
_ COMO NÃO?
_ Esqueci…
_ Esqueceu o cacete! Tá todo mundo apreensivo…
_ Que palavra bonita…
_ É melhor que “cagaço
_ Depende da sua definição de “melhor”.
_ Olha aqui, já cansei disso. Os rumores estão falando de redução do headcount e eu tô…
_ Que fofo… “rumores”! Hahahahaha!
_ Fofoca, porra! Fofoca!
_ “Headcount”, hahaha! Nem sei o que é isso!
_ Mas foi você quem cansou de me ensinar esses termos pra impressionar em reunião.
_ É que eu tava na página do Business Bingo.
_ Do quê?
_ Depois eu te dou um “feedback”.
_ Cabou a graça há 10 minutos atrás cara. Você tem que saber a hora de parar!
_ Eu?! Fala sério: tu trabalha numa empresa que fabrica um carro a cada quatro minutos, cobra superação de metas todo mês e eu é que não sei a hora de parar?
_ Qual é cara? Você trabalha aqui a mais tempo que eu.
_ E eu sou muito grato. Alimentei meus filhos e os eduquei como pude. Tenho até um carro 2009 e uma LCD na sala. Uma daquelas bem grandonas. Eu até parcelei no cartão.
_ Cê… quer dizer que não importa a reunião de hoje…
_ Mera formalidade.
_ Vamos ter um downsize
_ PASSARALHO, porra!
_ Meu Deus… fala baixo!
_ Falo como eu quiser!
_ … mas você tá na linha de frente…
_ Sabe com é Brasil, né? Perdeu, troca o técnico.
_ Enquanto os dirigentes continuam numa boa…
_ Tipo o Bamerindus?
_ Aquele que foi vendido?
_ Olha, deixa isso pra lá. Já me conformei.
_ Fácil assim?
_ É… para pra pensar: eu sei que a rotina é confortável: pagar impostos, comprar brinquedinhos do Mc Donnald’s pra molecada, ver putaria na internet, ficar parado no trânsito… nada disso tá errado.
_ E porque estaria?
_ Sim, é claro! Conforto da vida moderna, lei do menor esforço… chame isso do que quiser. Geladeira, descanso semanal remunerado, seguro de vida, óculos escuros… são conquistas dos nossos antepassados e nossas também. Mas tá na cara que isso não pode durar muito mais né? As férias vão chegar ao fim!
_ Férias? Mas eu não tiro férias desde…
_ Férias da vida! Mais cedo ou mais tarde, essa catarrada ia acabar caindo na nossa cara.
_ Que coisa?
_ Esse desperdício todo de recursos. Gente procurando emprego que não existe para manter a sociedade como está.
_ Era só o que me faltava! Meu chefe virou um comunista de merda depois dos 40! Crise de meia idade do inferno, hein?
_ Tu é um bostinha mesmo, hein? Se apontar pra uma jaca e dizer que é maçã, você logo acredita.
_ Viva la revolución!
_ O comunismo não ia mudar em nada tudo isso. Talvez só tivesse um pouco mais de repressão.  Quando eu falo de desperdício… como eu explico? … Ah! Leu 1984?
_ O do Big Brother?
_ Isso!
_ Não…
_ Putz… mas o programa do Bial você assiste, né?
_ Às vezes. O que tem?
_ Nada, nada. É que o livro diz um “o que aconteceria se…” o comunismo tivesse vingado.
_ Já sei. Uma Cuba gigante com um carinha de óculos dizendo “grandes heróis da casa hoje vocês vão pro paredão” e fuzilam todo mundo!
_ Não exatamente… na verdade é bem parecido com o mundo que vivemos: guerras fabricadas que se fingem de ideológicas mas que não mudam nada. Só servem pra desperdiçar recursos pra que todo mundo tenha o que fazer.
_ Mas nem há tantas guerras rolando agora…
_ Acha mesmo? Mas é que guerra é bom para alguns negócios e ruim para outros. O negócio é diversificar pra gerar mercados!
_ Parece meu professor de faculdade falando…
_ Vai ver que ele tinha mais de 2 neurônios. Pra que raio inventaram a linha de produção? Produzir mais rápido e aumentar as férias? Que nada! Pra reduzir os custos e ampliar o filão dos consumidores.
_ Henry Ford se revirou na tumba agora.
_ Cê que pensa! Através dos tempos… as “mentes brilhantes” procuram brechas para aumentar os lucros, mas elas estão acabando… e alguém vai ter que pagar a conta…
_ E pelo jeito é você.
_ Já tem tanta gente pagando… alguns com a vida.
_ Nós… dedicamos uma porcentagem para obras sociais. E tem a Lei Rouanet
_ Sim. Há 2 anos. Porque o concorrente fez primeiro.
_ Não deixa de ser um bem…
_ Olha, você não precisa me explicar nada. Eu tracei metade das estratégias de marketing e nunca liguei se o povo da Etiópia está comendo ou não. Eu sigo ordens. E ordens rígidas!
_ Nazi ou comuna? Se decide…
_ Presta atenção: moradia, comida, roupas, remédios, comunicação, transporte e até cultura, em menor escala… Sempre precisaremos de força produtiva pra essas coisas, mas não dá pra empregar todo mundo só com isso. Aí pintam guerras, gente pra atualizar o twitter, óculos para cachorros, campeonato de air guitar, reforma ortográfica, pesca esportiva, exposição de Ferrorama, Cosplay, dicionário Klingon, e-mail marketing, dança do créu, Crepúsculo
_ Ok, a gente somos inútil.
_ Sêneca comparava esse tipo de atividade às formigas que sobem e descem o tronco sem nenhum motivo
_ … e disse que em dois mil e tanto vamos chegar num colapso?
_ Ele era filósofo, não Nostradamus.
_ Então diga você.
_ Quem sou eu pra dizer? Só sei que as férias tão chegando ao fim e eu vou aproveitar o que sobra. Não sei o que vai acontecer nem quando virá. Nem se vai ser pacífico ou violento. O mundo já mudou várias vezes antes. Infelizmente, não foi do jeito bonito. Peste negra, colonização, revolução francesa, revolução industrial
_ E o que você vai fazer?
_ O mesmo que você. Atualizar meu currículo, ligar pra uns clientes, fornecedores…
_ Pelo menos não vai fugir pras montanhas
_ Tô vendo que você tá pegando o espírito da coisa… Então só vou dizer uma vez: a verdade é que nossa forma de vida não é feita para melhorar o mundo. A coisa é feita assim só pra que continue sendo feita assim pra sempre. E fim.
_ Me lembrou aqueles manos da quebrada que diz que “nóis mata istrupa i roba, mas a culpa é do sistema”.
_ “Culpa”… Culpa nem importa. Quem se fode na hora da “treta” é que tem a responsabilidade.
_ Faz sentido.
_ É mentir pra gente mesmo se comportar como se fossemos iguais ao pessoal que a gente fica alienando todos os dias. Importamos quase tudo da China, onde se caga pros direitos trabalhistas. Terceirizamos a maior parte dos cargos pra manter os benefícios dos funcionários “oficiais” e aparecer entre as “melhores para trabalhar”. Não somos legais. Não somos sustentáveis! QUEREMOS GRANA!
_ … então a sua ideia é entrar com esse supertraje de férias…
_ Tô me antecipando às minhas férias definitivas.
_ Mas então você vai entrar na reunião mesmo assim?
_ Eu disse que a gente ia se foder. Não disse que não ia se divertir.
_ Hehehe. Boa!
_ Te encontro no boteco? Mesma hora de sempre?
_ Tá brincando comigo? Não perco essa reunião por nada.
_ Só não vale postar no YouTube

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felizes por acaso.

Este poema
Não suscita discurso ou dilema
Não é solução nem problema

Este poema saiu atrasado
Escrito sob a luz do sinal fechado
Que fez do papel branco, rosado

Quer ser sintoma de tempos fugazes
De remédio para gazes
De envelhecer novos ares

De distração e correria
De escravidão do dia a dia
De reunião de família
Só em morte de tia

De drops de notícias e de hortelã
De sair sem café-da-manhã
De deixar estragar a maçã

Este poema saiu de moda
Tentou reinventar a roda
Sem oferecer uma boa nova

Este poema passou do ponto
Antes mesmo de ficar pronto
Pobre poema! Não vale um conto.

Este poema pode estar errado
E pode ser denunciado
Apenas porque diz, velado
Que vivemos só no intervalo

Fala da caminhada ao longo do lago
Por conta de um pneu furado

De ver sessão da tarde em dia de semana
Só porque a gripe botou de cama
De um encontro por acaso com alguém que se ama

Poema fora de compasso!
Vê problema no embaraço
De pedir um segundo a mais de abraço

Que é bom encontrar um amigo ou ente
Enquanto espera pelo pão quente
De pensar na vida ao escovar os dentes

E pede a pausa pro café
Faz brigadeiro de colher
Diz pra fazer o que se quer

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da rotina.

Autofalantes chiam interferência
Enquanto velhos falam sem parar
O rio não dá sinais de sobrevivência
Os trilhos parecem um bom lugar

O sol vêm brilhar alguma felicidade
E quando um alarme é soado
Deslizo pela cidade em alta velocidade
Abafado, por um ar condicionado

Encaro rostos desconhecidos
Repletos de traços e marcas
Não dá pra reconhecer os inimigos
Embaralhados feito cartas

Me dê alguma supresa
Diga algo que eu não sei
Me mostre alguma beleza
Rasure os planos que eu tracei

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tecnodepente.

Nota do autor: Já que todo mundo sempre acha que minhas poesias são músicas, resolvi fazer uma. Se conseguir fazer alguém gravar, aviso aqui.

será que todo mundo percebeu
um fenômeno que acontece
sinto que a cada dia

(refrão)
é que a tecnologia me emburrece!
não vou mais nem ao banheiro
sem usar o GPS

no dia em que eu precisei
lá pra casa, telefonar
confesso que eu travei
sem a agenda do meu celular

(refrão)

não é só uma facilidade
é uma muleta mental
sem esses chips eu não tenho
nem ensino fundamental

(refrão)

vou contar uma coisa
não espalhe isso, prometa
mas acho tão dificil clicar
enquanto bato uma punheta

(refrão)

eu sou só mais um
mais um tecnodependente
se o meu HD pifar
é a morte de um ente

(refrão)

não posso falar agora
tô ocupado, me desculpe
nem na hora do jantar
largo do meu notebook

(refrão e refrão modificado)

é que a tecnologia me emburrece!
dá até um pânico em mim
e se proctologista achar
que meu cu é touch screen?

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do absurdo.

Então nasceu um dia como nenhum outro. O sol brilhou azul num céu vermelho vivo, com poucas nuvens alaranjadas.

As florestas estavam todas prateadas, onde papagaios cinzas se camuflavam. Nas savanas rosadas, zebras multicoloridas corriam como antes, pois os leões, cujas jubas agora mais lembravam labaredas, jamais distinguiram as cores.

A mudança na cor do cimento fez a cidade adquirir um constrangedor tom de azul cueca. Pelo asfalto branco gelo, cada vez mais sujo de poeira verde limão, pessoas olhavam seus carros e pensavam no problema que teriam para mudar a documentação para a nova cor.

Especialistas analisavam, de dentro de seus ternos bordô e escritórios démodés, os impactos das mudanças na coloração em tudo – da economia à moda e, em menor escala, no meio ambiente. Nada concluíram.

Quando a noite oliva caiu, estrelas fúcsia cintilaram ao redor de uma lua púrpura.

Na TV, que agora mais lembrava uma caixa de luzes difusas com um rádio acoplado, uma mulher sugeria que alguma mudança no nosso sol pudesse ter causado o fenômeno. Um homem de voz irritante, falava de gases atmosféricos que determinavam a luminância das cores. Ambos se baseavam na mesma teoria: “Não vemos as coisas. Vemos a luz que reflete nas coisas. Cada superfície e substância reagem de determinada forma”.

O psicólogo defendeu: “Sabemos que isso é azul porque alguém nos disse isso quando crianças. Quem garante que o seu azul é o meu?“

Um médico, muito polido, dizia que uma possível pandemia poderia ter atingido a população mundial, causando um transtorno ótico ou cerebral: “Nossos olhos absorvem a luz e identificam as cores por células chamadas ‘cones’. Um daltônico, por exemplo, possui um problema nestes cones para determinadas frequências de onda”

Todos ficaram em silêncio. Não pela propriedade com que ele dizia, mas pela palavra “pandemia” inserida no discurso.

A apreensão era tamanha, que ninguém percebeu os furos enormes nas teorias.

Menos de 24 horas após o ocorrido, a imprensa já havia desinformado o suficiente. Ninguém sabia de nada. O que fazer na falta de fatos? O que os humanos fazem melhor: inventá-los.

Místicos falavam enigmaticamente de energias se revelando, mas não diziam coisa com coisa. Alguém falou de Nostradamus e achou alguma frase com sentido distante para explicar.

Religiosos viam os sinais do apocalipse, que só poderiam vir de um Deus muito estravagante.

Os paranoicos balbuciavam ataques alienígenas, armas governamentais e dominação mundial, como fosse necessário dominar algo hoje em dia.

Para decepção de muitos, mesmo diante de tamanho frenesi, nada mais aconteceu.

Mais de 72 horas depois, nada mais acontecia. Ninguém adoeceu, nenhum meteóro, OVINI, inversão polar ou desastre natural. As pessoas tiveram de voltar ao trabalho e aos estudos.

Já se passava um mês. E com a rotina, alguns decidiram por adotar as novas cores – ou não deram importância ao fato. Outros, incomodados, trataram de buscar com extrema dificuldade, tintas para tentar voltar suas propriedades ao antigo visual.

Os que conseguiram, se arrependeram ao ver que o trabalho árduo apenas os fez destoar do mundo nonsense.

Incomodados ou acomodados, os olhos das pessoas convivem bem com o novo espectro. As agências de turismo ganharam atrativos para os antigos clientes. “Relaxe nas águas douradas do Caribe”, “Conheça as misteriosas pirâmides negras do Egito”. O setor nunca esteve tão aquecido.

Agora, pergunto de todo o coração: se até mesmo as esmeraldas se tornaram castanhas, por que seus olhos continuam tão verdes a me hipnotizar?

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replay.

por viver, envelheça
por envelhecer, conheça
por conhecer, entristeça
por entristecer, entorpeça
por entorpecer, se perca
por perder, enlouqueça
por enlouquecer, desapareça
por desaparecer, permaneça
por permanecer, cresça
por crescer, apareça
por aparecer, mereça
por merecer, viva.

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vai luzir.

Um minuto e nada mais:
Uma palavra sagaz?
Um desejo audaz?
Um gesto incomum?

Um instante atrás
Poderia ser mais
Completo e capaz,
Como outro nenhum

(…)

Mas algo mudou
O instante passou
Uma luz se apagou
Se tornou só mais um

Vislumbrar o futuro
É muito inseguro
(o passado é obscuro!)
Luz em três, dois, um.

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tempestade.

A vida se vai
Como pedra no abismo
E eu, curioso, assisto
Por puro comodismo.

Mas a vida também flutua
Feito pluma, feito ave
E eu, feliz, a sopro e assopro
Antes que ela se acabe.

A vida queima em mim
Porque nela há vontade,
Porque nela há um fim.

Em calmaria ou tempestade,
No amor e na maldade,
No orvalho e no jasmim,
Não há mentira nem verdade.
A vida é fato, a vida é assim.

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